Um Sítio Onde Pousar
Há uma frase que se diz a quem está a sofrer, e diz-se com a melhor das intenções. Sê forte. Aguenta-te. Parece um conselho. Não é. É um pedido, e quase sempre é um pedido para não termos de segurar em nada.
O novo ensaio parte daí e vai ter a um sítio inesperado: o convés de um navio no meio do Atlântico, onde por vezes aparecem pássaros migratórios que já voam há mais horas do que o corpo aguenta. O barco não os salva nem os leva a lado nenhum. Oferece uma superfície firme durante o tempo em que pousar é a única coisa que interessa. É pouco, e para o pássaro é tudo.
É um ensaio sobre o abraço que não pergunta nada e não responde a nada, sobre as pessoas que continuam a ser um sítio onde pousar mesmo depois de décadas e de um oceano no meio, e sobre o que chega, diminuído e tarde, através de um ecrã.
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